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Interfaces Culturais em Tomar Cidade

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Uma síntese feita de texto e de imagens que, para além da qualidade científica da informação – garantida pela arqueóloga que intervencionou os sítios sobre os quais escreve -   possui um preocupação didática e informativa capaz de  chegar a um público com uma cultura de ensino secundário. O livro permite aos que conhecem a cidade compreender a sua evolução urbanística, a inserção de alguns dos seus edifícios históricos nessa dinâmica e os vestígios “(i)materiais” das populações que da proto-história à época moderna habitaram o território urbano da atual cidade de Tomar. As reconstituições bidimensionais e tridimensionais dos espaços urbanos e de alguns edifícios, a par das fotografias de peças em cerâmica - comum e vidrada -, em metal, de estatuária, de elementos arquitetónicos, os enquadramentos cartográficos e outras ilustrações, integram a narrativa assumindo um peso idêntico ao do texto. Diríamos que é um trabalho de arqueólogo que, sem o hermetismo da linguagem técnica, se torno…

Retratos para uma Ilustração Camoniana.

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Reler este trabalho do escultor  José Coêlho foi, para mim, que há muito conheço o autor e a sua obra, algo de surpreendente. 
Comecemos pela ficha técnica que o apresenta " Este livro composto de Textos, Escultura, Pintura e Desenho é o resultado de um trabalho realizado pelo autor no âmbito do IX Fórum Camoniano com o título Retratos para uma Ilustração Camoniana". (decorrido nos dias 26 e 27 de Julho de 2001. Na contracapa o autor fez publicar: " Ler os Lusíadas, aprender a gostar da obra camoniana é antes de mais uma satisfação interior. Um regalo para a alma. É como ter cá dentro um mar sempre agitado, desejoso de ser navegado, onde os barcos são palavras viajantes e as ideias, as ondas que nos levam a paragens nunca vistas. Ler Camões, trabalhar na sua obra é estar já a caminho daquilo a que o poeta um dia sonhou, a consciência do lugar, do espaço, colocar a língua portuguesa e a cultura portuguesa num plano universal."
O livro, para além das reproduções da cri…

Um Mundo Silencioso / João Alfaro

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De  7 de Setembro de 1996 a  7 de Janeiro de 1997, na Biblioteca Municipal Calouste Gulbenkian, de Ponte de Sor, o pintor João Alfaro efectuou uma exposição que denominou  “Um Mundo Silencioso“. Em paralelo, foi editado um conjunto de 30 postais ilustrados, que reproduziam os desenhos feitos a tinta da China num pequeno bloco de bolso que o autor trazia, normalmente, consigo. Em pequenos momentos de pausa, ou em reuniões longas e aborrecidas, que conduziam enfado e convidavam à distracção, assisti  à criação de alguns desses "apontamentos", como ele dizia. Recordo, assim, um trabalho feito sem a intenção de vir a ser mostrado  mas que, quis o acaso, ganhasse dimensão pública. Algo que não passou de uma excepção - quase um devaneio - na vida artística do João Alfaro.
Para se ter noção do que le anda a fazer veja-se: http://joaoalfaro.blogspot.pt/ https://www.facebook.com/joao.alfaro

Carlos Reis de Volta a Casa

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Inaugurada na terça-feira, a exposição é uma oportunidade para se ver a totalidade do acervo recentemente chegado ao Museu Municipal Carlos Reis, em Torres Novas. Até porque, posteriormente, só algumas peças passarão ao núcleo permanente.
Sendo um  museu relativamente desconhecido na região é, no entanto, um dos que maior impacto causa a quem o visita. E é assim porque o naturalismo de Carlos Reis não deixa que seja de outra maneira.
Não se é indiferente aos seus quadros, de uma execução técnica, verdadeiramente fora do comum.
O novo acervo, com peças que constituem uma efectiva mais valia para a espólio do museu,  entenda-se para o conjunto da obra em exposição, e outras que funcionam como curiosidades ou como complemento aos quadros mas que, no seu conjunto, proporcionam umas horas de agradável visita.
A necessitar de um olhar mais atento, fora da agitação normal da inauguração, ficou-me ainda uma tela do filho, João Reis, bem ao jeito do impressionismo francês e que vinca diferenç…

Magos

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Tal como referi na anterior postagem, vamos abordar a terceira revista municipal em publicação no distrito de Santarém a “Magos. Revista Cultural do Concelho de Salvaterra de Magos”, cujos números 2 e 3 foram dados à estampa em 2015 e 2016.
Com um formato idêntico às suas congéneres municipais, do ponto de vista gráfico, distingue-se pela maior profusão de imagens a cores. Facto que mais relevante do que se poderia imaginar numa publicação em que as expectativas se colocam nos textos.  Uma escolha criteriosa de imagens, mais do que a patine, traz-nos as cores e as formas dos tempos, acabando por funcionar como uma informação complementar ao mesmo que tempo descontrai a leitura. Isto para além de facilitar a interpretação de gráficos, de esquemas, de mapas e, obviamente, da sua inevitabilidade na reprodução de pintura.
Os artigos respeitam a exigência de rigor que hoje se exige a este tipo de revistas sendo, alguns, assinados por nomes sobejamente conhecidos da nossa academia, como são …

Terras d' Água

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É com gáudio que se saúda, após um interregno de 15 anos – o número 2 tinha sido dado à estampa em 2002 – o regresso da Revista de Cultura Terras d´Água, editada pelo Município de Benavente/Museu Municipal de Benavente. Reunir os estudos, no âmbito das ciências sociais, sobre o concelho e incentivar autores locais a produzir conhecimento e a divulga-lo, parece-nos ser uma das mais óbvias obrigações dos municípios e, particularmente, dos respetivos pelouros da cultura. Assim acontece com o de Benavente que, a partir do Museu Municipal, vai cumprindo, bem, esse papel. As exposições temporárias são, muitas vezes, o motivo para a produção de catálogos que, pela qualidade do texto, da imagem e do grafismo, se autonomizam da própria exposição e adquirem valor próprio.  Terras d´Águacomeçou, em 1998, por ser uma exposição dedicada ao ciclo do arroz e um catálogo – do qual só possuímos a 3ª edição, com data de 2009 – com as qualidades acima enunciadas.   Em 2001, surge a revista de cultura com…

Com a Vida Tão Perdida. Diário de um Prisioneiro da Primeira Guerra Mundial

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Recordo-me de ter escrito neste blog que, A Guerra Peninsular em Santarém, de Fernando Rita, tinha sido o melhor livro de história que lera esse verão. E explicava porquê. Impressionou-me, então, o rigor da investigação e a qualidade de escrita de alguém que, assumidamente militar, fazendo valer os conhecimentos próprios da profissão, escrevia um texto de história regional, onde as ações militares e o quotidiano das populações civis, que sofria com elas, eram abordadas em paralelo, numa relação direta e de interação ou de causa/consequência. Era efetivamente um texto de história regional e militar de primeiríssima qualidade. Este Com a vida tão perdida. Diário de um prisioneiro na Primeira Guerra Mundial, é outro livro, diferente do anterior, mas, igualmente, de leitura obrigatória. Partindo do Diário de Prisioneiro de Guerra do cabo Sebastião Duarte, seu conterrâneo, de Vale de Figueira, do concelho de Santarém, Fernando Rita, explica, de um modo conciso e claro, a conjuntura europeia…